6.2.09

 imagem da Internet

 

Li em algum lado, não me lembro onde, que todos os bloggers são inevitavelmente e invariavelmente pessoas infelizes.

Tem a sua lógica.
Não conheço pessoalmente nenhum blogger com presença assídua na blogosfera, portanto não posso pronunciar-me com conhecimento de causa.
Mas tenho o meu exemplo.
Devo dizer que não sou infeliz nem solitária. Mas que percebo a perspectiva de quem o disse.
Quem escreve para si mesmo, quem se refugia na Internet, tem aquilo a que eu gosto de chamar “a bolha do Actimel” – e que outros chamam de “mundo da Lua” e, que é nada mais do que uma extensão própria e pessoal do Mundo. Aquele espaço, entre nós e os outros, que se acentua mais, por necessidade muitas vezes, por vontade, noutras, por acaso e involuntariamente na maioria das vezes.
No meu caso é isto tudo somado a alguma insegurança.
E sou muitas vezes mal interpretada. Tão depressa estou a participar animadamente da conversa como segundos depois já estou completamente alheada, nessa extensão minha, puxada por algo mais forte. Algo muito mais forte. Nesse instante, o Mundo fora da “bolha” deixa de existir.
Não sei se estou certa. Mas eu acho que esta é a característica da maioria dos bloggers – “a bolha do Actimel”. São pessoas introspectivas, críticas, com vida social, sim, mas, com uma vida “pessoal/própria” muito intensa. E os posts nascem disto, daquele espaço entre nós e o Mundo.
É talvez, sim, uma "infelicidade virtual".
Mas não quero falar por ninguém.
Qual é a vossa opinião?
linkPor AngKorVat, às 12:02  manifestar-se

De Alexandre Kulcinskaia a 6 de Fevereiro de 2009 às 17:47
No meu caso não tem a ver com infelicidade. Na minha vida pessoal sou muito feliz, na profissional não pois estou desempregado há já algum tempo. Mas na realidade eu escrevo no blog porque gosto de escrever. Posso não ter muito jeito mas é talvez das coisas que mais gosto de fazer. Por alguma razão no Secundário estive em Jornalismo. E gostava de ter ido para a Universidade e hoje, talvez, pudesse estar a escrever para um qualquer jornal. Mas não me arrependo, isso não aconteceu mas aconteceram-me outras coisas boas que valem mais que essa vontade de escrever para um jornal. Não o podendo fazer escrevo no meu blog onde não tenho editores que me obriguem a escrever o que eles querem.
Mas não, não sou um blogger infeliz.
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http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/

De AngKorVat a 6 de Fevereiro de 2009 às 18:41
E porque gostas de escrever?
O que a escrita me traz, a mim, é o prazer de me isolar, de vez em quando noutro Mundo. E e disso que falo. Da infelicidade virtual enquanto necessidade de isolamento e de distanciamento.
O jornalismo, acho que é diferente,porque não nos dá a liberdade total de escrita. Não provoca outro tipo de sentimentos e divagações.
Eu licenciei-me em Comunicação Social, tambem porque gostava de escrever. Mas o jornalismo não permite esse "escape" porque se refere exactamente à realidade e a factos.
De qualquer forma também ainda não sei se fiz bem. O emprego também está difícil.
Independentemente das escolhas também sou feliz. E gosto dessa "infelicidade virtual" - de gostar de estar só de vez em quando.

De Alexandre Kulcinskaia a 6 de Fevereiro de 2009 às 19:00
Eu também prefiro uma escrita mais "livre". Tanto é que o que mais gostava de escrever eram crónicas e artigos de opinião e mesmo no blog o que me dá mais prazer são esses mesmos artigos de opinião.
Gosto de escrever para poder exprimir aquilo que penso e sinto, mas também para instigar ao debate que é outra coisa que me agrada. Gosto de sentir o cérebro a funcionar quando escrevo ou quando tento arranjar formas de conseguir fazer com que a minha opinião seja clara e marcante. Um dos exercícios de debate que fazíamos nas aulas de Comunicação ou Trabalhos de Aplicação, era tentar defender aquilo em que não acreditávamos, e eu embora seja sempre defensor daquilo em que acredito gostava muito de "mentir" aos outros ao arranjar argumentos que fundamentassem a minha opinião dando a crer que o que estava a defender era mesmo a minha ideia.
Portanto, acho que gosto de escrever por ser um exercício mental e para mostrar aos outros aquilo que escrevo. Sou um exibicionista pois se ninguém lesse provavelmente não escreveria. Eu gostaria, por exemplo, de escrever um livro. Não pelas vendas que pudesse ter mas sim por saber que ia haver pessoas a lê-lo. No dia a dia não gosto de dar nas vistas mas no que respeita à escrita gosto de o fazer
E enquanto escrevo desligo-me das coisas que se passam à minha volta e por isso posso dizer que a escrita será também um pouco o meu ópio embora eu não seja a favor de substancias ilícitas, sejam elas quais forem.
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http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/

De AngKorVat a 6 de Fevereiro de 2009 às 19:13
e eu acho que fazes muito bem :)
já percebi que há diferentes motivações para escrever. e muito diferentes - só por curiosidade: eu nem gosto de dizer às pessoas próximas, amigos, colegas, ... que tenho um blog. Não digo. Prefiro escrever sozinha ou que sejam outros, que não me conhecem a ler :)
Sinto-me muito exposta por ser precisamente o tal exercício de isolamento.

De Alexandre Kulcinskaia a 6 de Fevereiro de 2009 às 19:20
Cada um tem motivações próprias.
Se achas que não deves dizer fazes bem. É um direito que te advém e ninguém tem nada com isso. No meu caso as pessoas sabem que tenho o blog, embora no blog em si tente não me expor demasiado. Não em sentimentos pois isso é difícil mas por exemplo o e-mail, sitio exacto onde moro e a minha foto completa não ponho. Gosto de expor a escrita mas não a intimidade da pessoa que escreve. Mas tenho noção que num ou noutro post já pisei bastante esse risco, como por exemplo naqueles que têm por título "Uma parte de mim".
Agora vou ao meu blog pois estou a receber alguns comments de um cliente insatisfeito
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http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/

De AngKorVat a 6 de Fevereiro de 2009 às 19:27
pois nestas coisas nunca sabemos quem poderá estar do outro lado. mais vale prevenir.
ok.
bom fim de semana. bons posts. e que o trabalho não tarde...

 
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