15.5.08

O cocooning, como os sociólogos se gostam de referir ao fenómeno crescente do refúgio em casa e diminuição da socialização, está na moda.

Mas já está na moda há algum tempo, talvez décadas... e o futuro não lhe prevê término. 

A questão que se coloca é a da conveniência desta situação. Se, por um lado, se torna cómodo para as famílias usufruir de um conjunto de oportunidades sem ter que sair de casa, por outro, aumenta o fosso entre aquilo que assumíamos como espaço público há algum tempo e, o que hoje se podem chamar, os novos espaços públicos.

Mas o que me faz mais confusão é a sensação de vazio que a visão do futuro me provoca. 

Se, aumentando o número de serviços ao domicílio ou através da web, criando casas inteligentes com super poderes e fazendo nascer perfis pessoais virtuais, com vidas virtuais, conseguimos aumentar a comodidade familiar - conseguiremos porventura criar crianças mais felizes, saudáveis e sociáveis?

Que será dos parques infantis, dos bancos de jardim, do café da praça?

Que será do Grupo da Pesca, do Rancho Folclórico (que de si já representa um século com um outro nível de socialização - já inexistente), da associação do bairro?

Se toda a gente viver na comodidade do lar, não fará sentido manter espaços de convívio e fomentar a adesão a associações. Sim, posso estar a ser radical... mas já está a rua tão vazia porque não nascem crianças por cá... que ela não fique mais, porque já temos tudo em casa.

 

sinto-me: enCASAcada
música: bleeding love - leona lewis
linkPor AngKorVat, às 00:08  manifestar-se

 
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